Go Green

Lawrence Andreis

Sempre foi um curioso sobre os hábitos alimentares das sociedades. Em 2008, mudou-se para Barcelona, onde estudou Publicidade no IED. De volta ao Brasil, decidiu dedicar-se a um velho sonho: tornar-se Chef de Cozinha. Após estudar Gastronomia por 2 anos e trabalhar em 6 restaurantes, abriu sua própria empresa de "Catering".

 

Entrevista com Renato Martelleto, responsável por uma parte do Circuito de Feiras Orgânicas no Rio de Janeiro.

Há uma tendência mundial focada em uma alimentação mais saudável e sustentável.
No Rio, segunda maior cidade do Brasil, não poderia ser diferente. Em vez de uma feira no formato tradicional, Renato Martelleto é responsável por uma parte do Circuito de Feiras Orgânicas na “cidade maravilhosa”. Ele falou para a Braznu sobre os desafios que os produtores orgânicos enfrentam e sobre por que você deve partir para o Verde.

Lawrence Andreis: Como começaram as Feiras Orgânicas no Rio de Janeiro?

581462_392881420736689_2073777212_nRenato Martelleto: A primeira feira orgânica do Rio foi criada pela Conatura, uma associação de agricultores, nos anos 90. Eu comecei la em 96, vendendo livros. Era uma feira pequena, 5 ou 6 estandes, trabalhei la por 14 anos. Hoje, a Feira Orgânica da Glória é a maior do Rio, com mais de 30 estandes. Quando começou, a feira não tinha permissão para funcionamento. O organizador conseguiu uma licença para um evento. E na semana seguinte estávamos todos lá de novo. Na terceira semana a polícia veio pedir para mostrarem a licença. Ele mostrou a licença de duas semanas atrás e a polícia aceitou. Faz 25 anos que eles estão no mesmo lugar. Apenas 3 anos atrás a prefeitura começou a legalizar as feiras.

Lawrence: Por que você saiu da Feira da Glória?

Renato: Uma feira orgânica não diz respeito apenas sobre comprar ou vender comida. Você cria uma relação fraternal com o cliente, aumenta a visibilidade do produto orgânico e seus benefícios. Eu sai da Glória por razões políticas. A feira foi crescendo e estava cada vez mais difícil de controlar a autenticidade dos produtos. Em uma feira orgânica não pode existir dúvidas. Não existe produto 99% orgânico. Ou é orgânico ou não é.

Lawrence: Como funciona a autenticação dos produtos orgânicos?

Renato: Existe uma autenticação do IBD, o maior e melhor certificado orgânico que um produto pode ter. Eles ratreiam a origem do produto, conferem se o produtor está cumprindo todas as normas. A fazenda pode até exportar com esse selo. Já com o produtor menor fica mais difícil. Eles possuem uma associação que emite esse certificado. Já ouvi histórias de que alguns produtores teriam recebido o certificado e que nunca ninguém foi visitar a fazenda. Isso é um problema muito sério. Compromete as pessoas que estão fazendo da maneira certa. O produto orgânico perde credibilidade. Agricultura orgânica diz muito sobre honestidade.

Em uma feira orgânica não pode existir dúvidas. Não existe produto 99% orgânico. Ou é orgânico ou não é.

Lawrence: Como o público vem reagindo às feiras?

148945_424706744220823_1731066225_nRenato: Os clientes que vêm até uma feira orgânica estão procurando por uma qualidade de vida melhor. Muitas mulheres grávidas, casais com criança pequena… isso gera uma responsabilidade imensa. Às vezes, as pessoas perguntam duas ou três vezes se o alimento realmente é orgânico. Nós temos que dar garantias quanto a isso.

Lawrence: A maior queixa em relação aos orgânicos ainda é o preço. Como você encara isso?

Renato: Para o produtor chegar aqui, há uma despesa de 300 reais. Eles tiram tudo do próprio bolso. Acordam a 1h da manhã para estar aqui às 7h e voltar para a fazenda só à noite. Eles são meus heróis. Quando a chuva acaba com toda a produção, ninguém cobre a perda deles. Não há qualquer ajuda do governo. Se conseguíssemos um incentivo público, talvez poderíamos vender mais barato, mas eles só ajudam as grandes companhias, a industria farmacêutica, a de pesticidas. Teríamos muito menos pessoas doentes se elas não estivessem comendo transgênicos e pesticidas todos os dias. Isso é um veneno. Ainda existem pessoas que acreditam que se não fossem os pesticidas não poderíamos alimentar todo o mundo. Isso é apenas uma grande ilusão. Existem leis que permitem o uso desses venenos. As grandes companhias como a Monsanto estão aonde estão porque alguém as permitiu chegar. E há outros problemas. Se não valer mais à pena, a próxima geração vai preferir ganhar um salário mínimo no McDonald’s do que trabalhar na fazenda. É mais fácil. Se não tomarmos cuidados, vamos perder todas as famílias agricultoras. Temos que agir. Na parada gay, na marcha da maconha milhares de pessoas saem para as ruas. A Monsanto comete genocídio todos os dias e ninguém dá bola.

Temos que agir. Na parada gay, na marcha da maconha milhares de pessoas saem para as ruas. A Monsanto comete genocídio todos os dias e ninguém dá bola.

Lawrence: Quais são os planos para o futuro?

Renato: O Circuito de Feiras Orgânicas gostaria de abrir a próxima feira dentro da favela. Queremos desmistificar o pensamento que o orgânico é só para o rico. Depois planejamos ocupar um terreno baldio dentro da cidade para criar uma horta comunitária, para ensinar as crianças a plantarem. Nós estamos plantando a semente, tentando inspirar as pessoas, mostrando que é possível, para que nos ajudem a tornar tudo isso muito maior.

Para manter-se informado sobre quando e onde as Feiras Orgânicas acontecem, acesse facebook.com/feirasorganicas.

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