A mineira que se alfabetizou aos 67 anos e se formou aos 79, em universidade do Rio

Fabiano Moreau

Pai da Antônia, comunicador, budista e rotariano. Founder Braznu.

 

Aprender a ler e a escrever sempre foi o sonho de Dona Leonides Victorino. Hoje, aos 80 anos, é formada em História da Arte, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.

Um exemplo de superação e perseverança.

Assim é a história da mineira Leonides Victorino (80), moradora da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Nascida em um vilarejo na Zona da Mata em Minas Gerais, D. Leonides começou a trabalhar na lavoura, com apenas 5 anos de idade. Depois, aos 14, mudou-se para o Rio, onde foi trabalhar como doméstica.

Por onde andasse, carregava a timidez de quem acreditava não ter o que compartilhar com os outros:

Eu era uma pessoa triste. Quando eu escutava as pessoas me chamando de analfabeta, aquilo me doía… parecia que tinha uma faca me cortando por dentro.

O tempo passou, D. Leonides casou-se, teve dois filhos e foi morar na Tijuca. Assim como outros moradores da favela em que vivia, ela foi realocada para a Vila Kennedy, mas seguiu trabalhando no mesmo emprego, na Zona Norte da cidade.

Nessa época (tinha por volta de 35 anos), ela conta que da janela do ônibus que tomava para ir ao trabalho, acompanhava a construção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, mentalizando que um dia estudaria naquele lugar, ainda que soubesse que para isso teria muito chão a percorrer, muito estudo pela frente.

Mais tarde, com os filhos já crescidos, D. Leonides tentou uma primeira experiência de alfabetização, que precisou ser interrompida para que cuidasse do marido que estava doente. E aos 67 anos, ingressou como a aluna mais idosa da turma, no Programa de Educação de Jovens e Adultos (PEJA) da rede municipal, onde finalmente foi alfabetizada. Ela conta que lia os textos e deveres em casa para os netos, experiência que não teve com os filhos.

Em 2014, aos 79 anos de idade, realizou seu grande sonho, ao se formar em História da Arte, pela UERJ, mas conta que não pretende trabalhar na área e que é hora de aproveitar a vida.

O saber não ocupa lugar.

“Quando a gente quer uma coisa, só se for um motivo de força maior que pode fazer a gente desistir. O saber não ocupa lugar. Tem tanta gente que estudou só até a quarta série. Eu não entendo como podem se conformar! A gente precisa de um Brasil bem preparado, todo mundo precisa ter conhecimento. Graças a deus tive a chance de trabalhar e educar meus filhos, podia ser analfabeta, mas fazia questão que eles estudassem. Agora minha missão chegou ao fim, dia 7 de setembro fiz 80 anos e estou muito feliz, mas não pretendo trabalhar nessa formação. Já trabalhei muito, agora eu quero mesmo é passear e aproveitar a vida”.

  • Instagram @braznu

    Use a hashtag #braznu no instagram e compartilhe conosco os lugares, as experiências e iniciativas, que valem a pena ser compartilhadas. Participe!

    • "Stop here, appreciate life for a minute and smile" @oraculoproject 👊🏼
Foto: @juliomfilho via #braznu / #oraculoproject
    • O novo e o antigo 😍
@dimas.gomeslima via #braznu - Recife, PE
    • @rafaelbrasilmusico confeccionando 2 incríveis 'balde-boxes' de iluminação pras nossas produções 😍
    • Minhocão 🌈
@belahornos via #braznu - São Paulo, SP
    • @magali_maschi via #braznu ❤️ Pelourinho - Salvador, BA
    • @rosanamoutinhoferreira via #braznu 💚
  • Talks

  • Peça sua música / Com Rafael Brasil

    Quadro com o músico gaúcho Rafael Brasil, que valoriza grandes nomes da Música Popular Brasileira. Toda semana, um novo pedido dos nossos seguidores.

  • ir para o topo da página

    ASSINE NOSSA NEWSLETTER

    Receba novidades sobre nossos conteúdos, atividades e promoções.